Contos

Envelope

Naquele domingo após o alvoroçado almoço em família, no grande casarão do bairro São Francisco, Clóvis retirou-se para o quarto a fim de se arrumar. Estava ansioso e tomaria sorvete mais cedo. Não eram nem três da tarde quando aprumou a bengala de cedro no chão e levantou-se. Pediu ajuda para vestir-se. Avisou Dirce para que chamasse a neta Mirela, pois o sorvete de domingo seria mais cedo e gostaria que somente ela viesse. Não queria o barulho de muitos netinhos, apesar de ser também animador, aqueles dias não estavam sendo fáceis.

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Madura como as seriguelas

Ela acordou cedo, olhou pela cortina branca de onde vinha o sol já caloroso, às 7h. Viu a grama verde molhada do orvalho da madrugada. Dormira nua e acordara seca do vinho da noite anterior. Caminhou até a cozinha, abriu a geladeira, pegou água e bebeu na boca da garrafa  quase meio livro de uma vez. Agora sim, bom dia, pensou. O celular estava descarregado, as roupas jogadas pelo quarto, os restos do jantar sobre a mesa, e as lembranças eram boas. Isso tudo, para ela,  parecia ser algo como tocar na porta da liberdade.  

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Vanessa Brandão

Jornalista , mestre em Letras.

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