Ficção

Envelope

Naquele domingo após o alvoroçado almoço em família, no grande casarão do bairro São Francisco, Clóvis retirou-se para o quarto a fim de se arrumar. Estava ansioso e tomaria sorvete mais cedo. Não eram nem três da tarde quando aprumou a bengala de cedro no chão e levantou-se. Pediu ajuda para vestir-se. Avisou Dirce para que chamasse a neta Mirela, pois o sorvete de domingo seria mais cedo e gostaria que somente ela viesse. Não queria o barulho de muitos netinhos, apesar de ser também animador, aqueles dias não estavam sendo fáceis.

Read More

Conversa, ditames, Endereço!

A centopeia vem andando nos ladrinhos da cozinha. O menino grita: Olha! A centopeia está magra e precisa comer. Os cães ladram para o vazio. O calor morno deixa aturdida as mentes e os tijolos estalam. E estala a centopeia com a morte repentina. E vem o choro! Piseeei na centopeeeeia! Acalma, criança, centopeias renascem. No mundo espiritual? E centopeias podem renascer híbridas? Se acalma, menino, fala coisas da sua idade: penso.  

Read More

Madura como as seriguelas

Ela acordou cedo, olhou pela cortina branca de onde vinha o sol já caloroso, às 7h. Viu a grama verde molhada do orvalho da madrugada. Dormira nua e acordara seca do vinho da noite anterior. Caminhou até a cozinha, abriu a geladeira, pegou água e bebeu na boca da garrafa  quase meio livro de uma vez. Agora sim, bom dia, pensou. O celular estava descarregado, as roupas jogadas pelo quarto, os restos do jantar sobre a mesa, e as lembranças eram boas. Isso tudo, para ela,  parecia ser algo como tocar na porta da liberdade.  

Read More
Loading


Vanessa Brandão

Jornalista brasileira, mestre em Letras, morando na Polônia com a família.

CADASTRE-SE E RECEBA NOSSAS ATUALIZAÇÕES