Autor: Vanessa Brandão

Poesia cotidiana

Célula Olhem-se nos olhos, vocês aí! Vocês, que mandei na mesma célula familiar Entendam-se e curem suas dores Bebam na mesma fonte do tédio Mas olhem nos olhos uns dos outros e digam a verdade e ela vós libertará É a temporada do coração De sorver o rancor Tirá-lo do emaranhado de células vitais e seguir criando.   Covardia O desejo dela vivia recôndito Passeando entre mente e coração em ciclos agudos e viciantes Ia, vinha, seguia, voltava em trovoadas Tardes amarelas entre um e outro dormir de sol Ou de lua que emanava um convite para não sei...

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#36 Crônica sobre Luigi

Difícil é escrever sobre ele de forma analítica, sem deixar falar apenas o amor de mãe, esse sentimento gigante que nos invade durante os nove meses de gestação e explode no nascimento, bagunçando toda a nossa estrutura. Ontem, no entanto, mais uma vez um amigo da família nos alertou para a responsabilidade de encaminhar o Luigi de modo a explorar suas potencialidades cognitivas. O amigo é professor doutor, pai de três garotos, entende a importância de uma boa educação formal e não formal e nos motivou a buscar sempre a melhor escola possível para nosso menino. Luigi está quase...

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#35 Sobre férias pandêmicas no Brasil e o que ainda temos de bom

O que fazer com três meses de férias em pleno verão europeu? Nossos planos eram conhecer a Croácia, Grécia, Bulgária e outras cidades turísticas na própria Polônia, porém, no meio do caminho tinha uma pandemia. Tinha não! Mesmo que na Europa as coisas estejam mais calmas e as pessoas estejam curtindo desde o início de julho como se não houvesse amanhã, a doença persiste e recentemente os novos casos voltaram a aumentar. Mesmo sabendo que as coisas no Brasil ainda estão longe de se acalmar, ou talvez justamente por isso, decidimos aproveitar a oportunidade de ficar perto de nossos...

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#34 A mensagem indecifrável do Chocalheiro

Ana Luiza acordou cedinho com o sol ainda se espreguiçando por detrás dos buritizais. A luz daquela manhã tinha algo de especial. O pequeno coração da menina acelerou levemente como se soubesse que algo importante iria acontecer. Os guaribas já urravam com força, trepados em alguma árvore de mata próxima. Parecia mesmo é que a qualquer momento desceriam das árvores e invadiriam a fazenda em bando, devorando todos sem piedade. Ana afastou o pensamento medonho da cabeça e foi correndo para o jirau lavar o rosto, escovar os dentes e saiu andando rumo ao curral. No retorno, acompanhava o...

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#33 Sobre medo e as epifanias reveladoras

Mas o que é sucesso em meio a uma pandemia, quando tudo adquire novos significados? O que é pensar sobre o futuro, se o que importa é acordar bem a cada dia? É cada respirar aliviado?! O momento não é para rima. Minha mãe está com a Covid-19, logo ela, minha mãe. São leves os sintomas, mas não tem como não dar um stop na vida e refletir sobre passado, futuro e ficar atento ao presente, mais especificamente, a cada respirar de dona Luiza. Eu ligo duas vezes ao dia e só relaxo quando percebo que seu falar é o mesmo, sem indícios de cansaço na voz. O medo ronda todas casas, todas as consciências e nos une dessa forma desajeitada. 

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Vanessa Brandão

Jornalista , mestre em Letras.

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