Apareceram margaridas no caminho? Estou lá, fotografando!

Esse post é sobre compartilhar experiência própria no intuito de ajudar outras garotas, que, assim como eu, não querem guerra com ninguém, desde que sejam amadas, durmam bem, possam educar e proteger o rebento, tendo algumas pitadas de felicidade ao longo desse caminho. Sabe, foi preciso mudar de rotina, lugar, comida, língua e sei lá mais o que pra me tocar dos erros e ciladas que a gente comete e se mete. Não se ouvir é a principal delas. Não fazer o que se tem vontade e sim o que a sociedade espera que façamos enquanto mulher casada, mãe e profissional é nefasto a longo prazo. Seguimos em geral, uma cartilha (não elaborada por nós) e damos cada vez mais espaço para a vontade alheia, como se ter necessidades individuais fosse um enorme sinal de egoísmo e mal comportamento.

Eu gosto de dar exemplos práticos e bobos pra não parecer discurso generalista de livros de autoajuda. Aprecio e preciso do contato com a natureza pra me sentir bem e viva. Nos últimos anos, não priorizei na minha programação de final de semana, que geralmente incluía um aniversário (pense num lugar onde se comemora aniversários: é Boa Vista), feijoada, churrasco geralmente em casa, na casa dos sogros ou na casa da minha mãe e nunca fui conhecer, por exemplo, o Lago Caracaranã! Sim, vergonhosamente uma roraimense que não conhece o lago, nem na época dos saudosos festivais. Meus pais nem sonhavam em deixar eu, uma adolescente, ter essa experiência que na cabeça deles envolvia bebida, sexo e violência, além de gente correndo em motocicletas que fatalmente os levaria a morte. Nem depois de adulta, criada, com carro e dinheiro, me dei esse prazer.

Fui ao Tepequém bem menos do que eu gostaria, não fui ao Monte Roraima, fui somente duas vezes ao Lago do Robertinho, fui menos do que deveria e queria para a praia grande, andei de caiaque uma única vez no rio Branco, nunca andei de sup no igarapé Água Boa, igarapé que acho lindíssimo com aquelas águas clarinhas e calmas, não fui conhecer as cachoeiras da Gran Sabana, a não ser a de Jaspe, ali pertinho de Santa Elena.  Sério, por que cargas d’água eu nunca me impus para fazer o que eu queria? É uma pergunta retórica, tá! Eu sei exatamente o que estava fazendo.

Primeiramente trabalhando muito, depois, achando que meu filho era de vidro e não podia levar umas picadas a mais de pium. Depois disso, fazendo a vontade dos outros, não que não merecessem, graças a Deus sempre fui cercada de gente do bem. De familiares a amigos, tenho pessoas incríveis com quem contar, mas que não necessariamente iriam me amar menos se eu tivesse escolhido fazer o que eu realmente queria com mais frequência. E foi preciso atravessar o atlântico para bater o martelo e entender o que meu terapeuta queria dizer com ‘torna-te quem tu és’ e dizer pra mim que minhas necessidades precisam e merecem ser atendidas.

Sabe, eu seria injusta com meu companheiro se colocasse na conta dele essa não experiência. Reinaldo, apesar de sistemático e metódico, sempre atendeu aos meus anseios, desde que eu avisasse uma semana antes, o lembrasse a cada dois dias e batesse o pé no dia anterior. Brincadeira, menos que isso. Bastava expressar a minha vontade e não ser dia de show da banda de rock que ele sempre teve desde que o conheci. Esperto ele né? Sempre fez algo que realmente gostava, nunca deixou a música, violão e a guitarra de lado, nem mesmo depois de virar pai e nós, garotas do meu Braseeeel, temos que levar a sério nossas pequenas ou grandes paixões, nosso hobbie, levando a vida que queremos, sem autojulgamentos e sem levar em conta o que os outros esperam de nós.

Não estou dizendo que você deve levar uma vida hedonista e sem responsabilidades, mas sim, deve se organizar pra usar pelo menos uma ou duas horas do seu dia com você e com o que lhe faz feliz, você enquanto ser único, essa você, íntima, quase esquecida em meio a tantas obrigações morais. Deve investir em fins de semana com atividades a sua escolha, do seu jeito. Faz um bem enorme.

Outro exemplo clássico: yoga. Comecei antes de ficar grávida, pratiquei durante a gravidez quase toda, até os oito meses e depois, adivinha?  Deixei de lado, mesmo adorando. Tentei voltar algumas vezes, mas deixar Luigi uma hora com o pai era pra mim coisa de mãe sem consideração. Não assim, declaradamente. Mas em algum lugar do meu ser, talvez no subconsciente, eu me dizia não ser adequado praticar yoga naquele momento da vida, afinal, aquele era o momento de ser mãe. De trabalhar e de ser mãe. Fazer dança? Curso de pintura? Alimentar meu blog com os textos que se batem nas paredes da alma? Fotografar? Não, não e não. Ser mãe, agora!

Acho que não pirei de vez por ter minha mãe e irmã sempre dispostas a ficar com o Luigi pelo menos uma ou duas vezes na semana para que pudéssemos, eu e Rei, sair pra jantar ou fazer alguma programação com os amigos. Mas espero da vida uma conexão a mais com as pessoas e com o mundo a minha volta. Preciso de tempo investido nessa conexão com a natureza, tempo para ler e aprender mais sobre minhas próprias habilidades, validar ou não essas tantas informações que recebemos diariamente, bloquear aquelas pessoas e energias tóxicas, sentir a vida, aprimorar a espiritualidade e a experiência com nosso Deus. Ir mais longe, mais profundo. Não é a vida no automático, resumida a obrigações  maternais e prazeres mundanos que me preenche.

A maternidade me trouxe um mundo de outras oportunidades, reencontros e aprimoramento moral mesmo, de verdade. Meu filho é um encanto, um elo com o divino, tem olhinhos redondos e pretos, que me estimulam a viver mais e mais feliz, por isso entendi, hoje, ele tendo quatro anos e meio, que eu não precisava exigir tanto, me podar tanto como ser humano amplo e complexo. Não precisava seguir todas as dicas, todos os blogs, livros, pedagogos e psicólogos para ser a mãe referência. Eu só precisava ser eu mesma e respeitar as minhas limitações e vontades.

Pra finalizar, muito do que escrevi aqui estou descobrindo em um curso sobre Comunicação Não Violenta, teoria criada e em constante aprimoramento, pelo psicólogo americano Marshall Bertram Rosenberg . Algo interessante e ainda bastante complexo para que eu possa falar mais sobre e aplicar totalmente em minha vida, mas que já me lembrou o quanto preciso e não soube expressar o que é importante pra mim. E para você? O que é importante? Como você gosta de viver? O que te motiva e dá prazer?  O que você faz por você? É cuidando da gente que conseguimos ser maravilhosas para com os que amamos. Se liga, garota. Até a próxima segunda.

Ps.

Nos últimos três anos fiz algo por mim que foi extremante compensador e que não mencionei no texto: eu decidi conhecer mais sobre o espiritismo e o que era uma curiosidade quase jornalística, virou minha religião. Mas isso é tema para outro texto.

Pinheiros resistem fortemente ao inverno mais rigoroso, assim como o Caimbé, ao verão mais extremo.