Hoje é domingo, 2 de junho de 2019, um dia depois do meio do ano, estamos na outra metade de 2019 e tenho certeza da aceleração do tempo, pois nem acostumei a escrever 2019 nos textos, cadernos e livros. A minha dissertação já tem 20 páginas e eu pretendo finalizá-la até setembro, apesar de saber que isso basicamente é mais uma das minhas ilusões otimistas. Em verdade meu prazo legal para finalizar o mestrado é fevereiro de 2020, eu tenho tentado antecipar para setembro por não saber ao certo onde estarei morando no ano vindouro, mas provavelmente estarei bem longe da minha Roraima. Eu e Luigi estaremos lá em julho, agosto e provavelmente início de setembro e isso conforta minha saudade.

Serão dois meses e meio para finalizar as entrevistas da pesquisa, escrever, analisar,  revisar, conversar com minha mãe e ficar no colo dela longamente, comer paçoca, bolo de milho, cuscuz, tapioca, tomar banho de rio e igarapé (ok, sei que estará tudo cheio demais) e buscar me reconectar com as energias do lavrado que sempre me acolhe, energia ligada às minhas raízes nortistas, que pulsam nas veias e também puxam de volta, assim como a energia das amizades tão raras e preciosas que esta vida (e outras vidas, talvez) me deu. Reinaldo tem uma independência e um desapego à terra natal que me assusta, ele aparentemente não sente a mínima falta do lugar, desconfio que se não fossem os amigos, ele nem falaria de Roraima, digo apenas amigos, porque os pais dele também foram embora de Boa Vista, depois de mais de 30 anos de terra de Makunaima, decidiram retornar ao Paraná. É o que sempre digo, as raízes sempre chamam de volta, passe o tempo que for.

Indo agora para o tema central do texto, depois de dois incríveis parágrafos dedivagações que só interessariam a mim, essa semana ouvi no meu podcast do momento, o Imagina Juntas (você acha no Spotify) o termo BoringSelfCare, que significa autocuidado chato! Ou seja, coisas chatonas, entediantes, obrigatórias, metódicas, as quais adiamos. Falamos muito hoje em dia sobre autocuidado, sobre as ilhas de prazer (fazer coisas que nos agradam todos os dias para relaxar e não pirar com as pressões sociais), mas o BoringSelfCare vai além disso e tem relação direta com nossa saúde física e mental. É aquela lista de coisas essenciais que devemos fazer, mas procrastinamos e até adoecemos por isso.

Exemplo: olhar a conta bancária. É simples, basta pegar o aplicativo, olhar o que você já gastou no cartão, saber o que ainda pode gastar, verificar quanto tem na conta, quem falta pagar e quais os boletos estão por vencer, mas muita gente da minha geração simplesmente não controla os próprios gastos por puro medo ou raiva de enfrentar a realidade e acaba gerando em si uma enorme ansiedade a partir dessa negligencia. Sabe aquele sentimento de angustia que não sabemos de onde brota? Muitas vezes ele está relacionado à nossa irresponsabilidade financeira e seguimos a vida sem fazer o que deve ser feito, ou seja, olhar a conta diariamente, contabilizar gastos, economiza o necessário e ser real. Ponto.

Outros não cuidados: não preservar as oito horas de sono através do controle da frequência em redes sociais antes de dormir, que nada acrescentam ao nosso descanso (na verdade, elas atrapalham e muito por motivos óbvios), não agendar os médicos que você sabe precisar ir, não querer gastar com terapia quando você sabe que precisa desabafar que precisa se conhecer e precisa enfrentar suas dores, pois as conversas evasivas e superficiais com os amigos ou familiares não irão resolver. Não tirar do seu convívio as amizades que só te sugam, alimentar relações tóxicas, não dar atenção às pessoas que você realmente ama e que realmente se importam com você, não resolver problemas burocráticos no banco, na faculdade, nas instituições públicas, deixar de abrir e de responder aos recados e e-mails chatos, enfim, uma lista enorme e essencial de detalhes que fazem toda diferença em nossas vidas desde que tenhamos a vontade de executar de forma sistemática e efetiva cada uma das tarefinhas necessárias da vida pós-moderna.

Não adianta achar chato e fugir, não adianta publicar um rostinho sorrindo e lindo nas redes sociais se seu coração e sua mente estão, em verdade, bagunçados de coisas não resolvidas. Eu parei tudo e comecei a listar, escolher quais são os meus #BoringSelfCare. Fique feliz por já ter inserido alguns no meu dia a dia como, por exemplo: atividade física, ler pelo menos 10 páginas por dia de cada um dos livros que me propus a ler (além dos científicos), tomar minhas vitaminas e bastante água, usar os cremes de cuidado pessoal diariamente, usar protetor solar e por aí vai.  Outras coisas ainda procrastino indefinidamente e assim vou conciliando o prazer e o dever, para depois não ficar naquele processo infrutífero de vitimização. E você, o que tem adiado?