Autor: Vanessa Brandão

Diário do ‘começo do fim’ do isolamento: algumas coisas mudaram para sempre

Ontem foi um daqueles dias em que a tristeza bate sem um motivo específico. Eu estava no sofá, absorta em tédio e rabugice, olhando algum conteúdo inútil no celular, quando o companheiro me olha consternado: “O que foi amor? Por quê tá triste?” Aí tudo transbordou. Fui para o quarto, me cobri toda e fiquei lá encolhidinha como quando era um feto no ventre da mamãe. Tenho essas nostalgias singulares. Reinaldo ficou entretendo Luigi na sala para que eu pudesse elaborar minha tristeza sem causa (sem causa objetiva, digo, afinal, em meio a uma pandemia mundial, só não fica...

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Diário do isolamento II

Hoje, 25 de abril de 2020, completamos 45 dias de quarentena. A cidade começou a implementar, no dia 21, a ‘nova normalidade’. Nos permitiram ir aos parques. Eu não achei que sentiria falta de ter carro morando em uma cidade com transporte coletivo eficiente, mas fato é que diante desse cenário, um carro seria bom, pois minha vontade é de ir a um parque novo todos os dias e se possível, subir montanhas e ficar até tudo isso passar.

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Três pequenos poemas de amor e impulso

  Orvalho  Olhos castanhos a incendiar orvalhos Ditosos a espreitar astuto a boca que o chama Em noites de incessante encantamento Soltos no lavrado, correndo gostosos Pelados um para o outro, sem sobrenomes             Encontro  Que tua alma encoste sem querer na minha Passeando completas e cheias de ânimo Sob luares sem precedentes     Muito perto Me dê de presente a sua presença Sentindo com todos os cinco sentidos e meio ou seis Ouvindo meu murmúrio de mulher doida Vendo meus cílios cerrados Podemos acender um incenso para garantir que estamos sentindo o...

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Envelope

Naquele domingo após o alvoroçado almoço em família, no grande casarão do bairro São Francisco, Clóvis retirou-se para o quarto a fim de se arrumar. Estava ansioso e tomaria sorvete mais cedo. Não eram nem três da tarde quando aprumou a bengala de cedro no chão e levantou-se. Pediu ajuda para vestir-se. Avisou Dirce para que chamasse a neta Mirela, pois o sorvete de domingo seria mais cedo e gostaria que somente ela viesse. Não queria o barulho de muitos netinhos, apesar de ser também animador, aqueles dias não estavam sendo fáceis.

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Diário do isolamento

Estamos em quarentena por conta de uma pandemia. Hoje é dia 14 de março de 2020, eu acabo de completar 37 anos e nunca vivi nada parecido. Não é terrível, é morno, pois nada acontece, o tempo parece ter desacelerado. Chegam notícias de mais um caso, mais um caso e mais casos. Dizem que não pega em crianças, o que tem me permitido manter a sanidade mental dentro desse apartamento. Eu, Reinaldo e Luigi revezamos entre conversar, brincar e telas: Youtube e Netflix, já que a TV não é útil para gente, que não entende uma palavra em polonês....

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Vanessa Brandão

Jornalista , mestre em Letras.

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